setembro 2001

Manutenção de pontes e viadutos

Estudos internacionais estimam que deve ser investido pelo menos 2% do PIB do um país na manutenção de edificações, pontes e viadutos, rodovias, entre outros. No Brasil, os investimentos no ambiente construído são irrisórios, como revela a campanha Infraestrutura: prazo de validade vencido.

As políticas permanentes de manutenção do ambiente construído – de edificações, pontes e viadutos, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, entre outros – são fundamentais para preservar o investimento no patrimônio feito pelas gerações passadas e garantir o seu uso de forma adequada pelas gerações futuras.  Estudos internacionais estimam que o ideal é que fossem investidos pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de um país na manutenção do ambiente construído. Assim, edificações, que têm vida útil estimada em 50 anos, por exemplo, poderiam estar renovadas e em perfeitas condições de uso por muito mais tempo. As administrações públicas brasileiras, nos três níveis de governo, investem próximo de zero por cento de seus orçamentos na manutenção.

O Sinaenco, por isso, passou a desenvolver a partir de 2005 estudos intitulados Infraestrutura: prazo de validade vencido, que analisam as condições aparentes de manutenção de pontes, viadutos, praças e parques e edificações públicas nas cidades brasileiras. Já foram avaliadas 22 cidades brasileiras: 11 capitais e em igual número de cidades do interior paulista. Os resultados desses estudos foram apresentados, com grande repercussão, às autoridades e às populações locais por meio da imprensa. A meta era estimular os cuidados com a manutenção desse patrimônio público e a aumentar a preocupação com esse importante item entre os administradores públicos e privados e na sociedade brasileira.

Os resultados obtidos ao longo de dez anos de realização e divulgação dos estudos foram muito bons. O Ministério Público Estadual de São Paulo, por exemplo, assinou em 2007 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura paulistana para a manutenção preventiva dos 270 viadutos e pontes da cidade, patrimônio estimado em cerca de R$ 8 bilhões e, até então, praticamente sem qualquer cuidado com a sua manutenção. Esse é um programa que se tornou permanente no Sindicato e que terá continuidade nos próximos anos, visando a melhorar o investimento público em manutenção e a alertar a sociedade para a importância da existência de investimentos permanentes nesse setor. Investir em manutenção representa prevenir acidentes, economizar recursos e preservar por muitos anos em boas condições de uso, o patrimônio construído ao longo de décadas.

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