agosto 2016

A era dos megaeventos

Com o encerramento da Olimpíada e da Paraolimpiada no Rio de Janeiro, o Brasil finaliza o ciclo dos megaeventos esportivos. Os legados imaginados e um panorama das capitais a partir de 2007, quando o país foi escolhido como sede da Copa, são temas de dois estudos do Sinaenco.

O Brasil foi o país escolhido, em 2007, para sediar a Copa do Mundo da Fifa de 2014 e, em 2009, os Jogos Olímpicos de 2016. A euforia tomou conta do país, com a ambicionada conquista do direito de sediar os dois maiores e mais vistos eventos esportivos em todo o mundo. Havia, então, a perspectiva de investimentos para que a necessária infraestrutura a ser construída para que o Brasil pudesse atender às exigências da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, principalmente, para solucionar os graves problemas de mobilidade urbana, saneamento básico, demanda aeroportuária, segurança e telecomunicações, deixando um verdadeiro legado para a população.

Essa perspectiva foi atendida em parte. Das maiores obras destinadas à Copa 2014, somente as 12 arenas multiuso foram construídas ou reformadas – modernas e que atendiam às exigências da Fifa, embora a um custo superior (em alguns casos, muito superior) ao dos complexos esportivos construídos ou reformados nas três últimas Copas do Mundo da Fifa.Em relação à mobilidade urbana, maior demanda da população das 12 sedes do mundial de futebol, cerca de 74% das obras listadas na Matriz de Responsabilidades do Ministério dos Esportes nas rubricas transportes urbanos e aeroportuários estavam incompletas ou nem mesmo haviam sido iniciadas em 2015. A falta de planejamento e da contratação de projetos executivos, completos, de arquitetura e de engenharia no prazo adequado ao seu desenvolvimento e pela melhor solução técnica sem dúvida foram fundamentais para esse malogro, que resultou num legado muito aquém do que poderia ter sido.

Já a preparação da infraestrutura para os Jogos Olímpicos 2016, com obras concentradas em sua ampla maioria no Rio de Janeiro, cidade-sede da Olimpíada, foi reconhecidamente melhor planejada e executada. A capital fluminense passou por uma ampla reforma urbana, com a melhoria da sua então degradada zona portuária, com os projetos e obras do chamado Porto Maravilha; com a construção do VLT do Rio de Janeiro, interligando o aeroporto Tom Jobim às regiões dos Jogos e ao Centro carioca, com a extensão do metrô à Barra da Tijuca, na zona oeste, e a construção do Parque Olímpico. O Rio de Janeiro conquistou de fato um legado para sua população, fato reconhecido nacional e internacionalmente e que ajudou a melhorar a imagem do principal destino turístico brasileiro, embora persistam deficiências graves em diversas áreas, como a do saneamento, por exemplo.

O Sinaenco lutou tenazmente, desde 2007, para alertar as autoridades públicas envolvidas com a preparação da infraestrutura, esportiva e geral, necessária para a boa realização da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016 sobre a necessidade de planejar, ou seja, pensar antes para fazer melhor, e contratar projetos executivos, completos, pela melhor solução técnica como ferramentas imprescindíveis para a boa realização desses dois megaeventos esportivos e como forma de deixar um legado para a população brasileira, às gerações atual e futuras.

Algumas dessas recomendações estão listadas em dois estudos, que podem ser considerados o retrato de um país pré-megaeventos esportivos: Estado de Manutenção dos Estádios Brasileiros, publicado em 1º de novembro de 2007, ou seja, no dia seguinte à confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014; e Vitrine ou Vidraça: os Desafios do Brasil para a Copa 2014, em 2009, este como resultado de uma série de discussões em 16 capitais brasileiras, em suas primeiras iniciativas de planejamento para a Copa de 2014. Mais do que um panorama do momento, esses estudos revelam as expectativas sobre os investimentos imaginados; são, por isso, um ponto de partida para analisar o legado conquistado e as oportunidades que ficaram no meio do caminho.