Infraestrutura de Salvador exige manutenção

Estudo realizado pelo Sinaenco na capital baiana avaliou 31 pontes, viadutos, passarelas, estação elevatória e edificações, na terceira edição da Campanha pela Manutenção do Ambiente Construído.

A infraestrutura da capital baiana vem mantendo, há décadas, uma triste tradição: boa parte dela – especialmente pontes, viaduto, passarelas, marquises e edifícios históricos – apresenta problemas graves, decorrentes da falta de manutenção.  Essa tradição negativa foi constatada no estudo Infraestrutura de Salvador: Prazo de Validade Vencido, inserido na Campanha pela Manutenção do Ambiente Construído desenvolvida pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) desde 2005 e apresentada à mídia baiana em coletiva de imprensa realizada pelo Sinaenco nesta quarta-feira, 17/05, em Salvador.

Esta é a terceira vez que o Sinaenco avalia o estado da infraestrutura em Salvador. Em 2008 foram apontados 14 pontos com problemas. Neste novo estudo, além das obras antes avaliadas, foram acrescentados 17 novos casos de Prazo de Validade Vencido. “Embora alguns dos problemas detectados em 2006, data do primeiro estudo, tenham sido parcialmente solucionados, diversos bens públicos encontram-se deteriorados, pela absoluta falta de manutenção preventiva”, alerta o presidente da regional Bahia do Sinaenco, engenheiro Carlos Stagliorio.

O estudo apresentou uma radiografia da situação de 20 viadutos, duas pontes, uma passarela, um túnel, marquises da Baixa do Sapateiro, uma estação elevatória e de edifícios tombados do Centro Histórico de Salvador. Dentre as obras avaliadas, a que foi considerada em pior estado de conservação pelos especialistas do Sinaenco foi a terceira ponte sobre o rio Jaguaribe. Toda a sua estrutura apresenta problemas graves, constatáveis por inspeção visual, como armaduras (ferragens) expostas e em avançado estado de corrosão – algumas já rompidas -, após o descolamento de parte da cobertura do concreto de proteção, na base do tabuleiro, no pilar de sustentação e nas vigas. Segundo os especialistas em estruturas, as ferragens exposta e corroídas podem ocasionar, se não forem recuperadas a tempo, até a falência da estrutura, em casos extremos.

Além da terceira ponte do Jaguaribe, sete outras obras vistoriadas também apresentam problemas que exigem a ação imediata dos poderes públicos responsáveis pela sua manutenção, para garantir a segurança dos cidadãos que por elas transitam, em veículos, bicicletas ou a pé. As demais, consideradas em estado regular, ainda assim precisam de manutenção para não se deteriorar. “A elevada alcalinidade das águas marinhas, espalhadas pelo vento, somam-se aos gases emitidos pelos veículos, indústrias e outras fontes de poluição para atacar o concreto e as suas ferragens. O antídoto para esses inimigos das estruturas de concreto de pontes, viadutos e edificações, entre outras, chama-se manutenção permanente, preventiva e corretiva, que permite prolongar a vida útil dessas estruturas por muitas décadas ou, no mínimo, garantir que atinjam os 50 anos previstos para a sua duração, em bom estado de conservação.”, destacou o presidente do Sinaenco/BA.

Fonte Nova
Em 2007, o Sindicato realizou um estudo sobre a situação dos estádios das cidades então candidatas a sediar uma chave da Copa do Mundo de 2014. Nesse estudo, divulgado em 1º de novembro de 2007, o estádio da Fonte Nova foi considerado como em pior estado entre os 29 avaliados em todo o país. Em 25 de novembro, parte da arquibancada do Fonte Nova desabou, matando sete pessoas. Recentemente, parte da cobertura do Centro de Convenções de Salvador desabou, felizmente sem ocasionar vítimas.

Esses são exemplos gritantes da importância da adoção de programas permanentes de manutenção pelas administrações públicas brasileiras, com dotações orçamentárias específicas, fundamentais para preservar o enorme investimento da sociedade para a sua construção. Dados internacionais indicam como investimento mínimo necessário para a manutenção preventiva e corretiva de estrutura pelo menos 2% do orçamento anual dedicados à rubrica manutenção, o que raramente acontece no Brasil.

Outros estudos
Além de Salvador, o Sinaenco já elaborou análises semelhantes sobre as cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Recife, Fortaleza, João Pessoa, Curitiba, Florianópolis e Rio de Janeiro. Os resultados estão disponíveis em www.sinaenco.com.br/campanhas.

Após a apresentação do estudo à imprensa, o relatório será encaminhado às autoridades da Bahia e Salvador, com as recomendações do setor.

O estudo apresentado pelo Sinaenco teve ampla cobertura da imprensa local. Confira as reportagens produzidas sobre o tema:

Band Cidade – TV Band: https://youtu.be/fPhmZwAzsQ4

Cidade Alerta – TV Record: https://youtu.be/vLGh-rioO8U

Balanço Geral – TV Record: https://youtu.be/YBfVMe34kMQ

Aratu Notícias – TV Aratu (SBT) : https://youtu.be/Xe1XBRl7MKs

TVE Notícia – TV Educativa: https://youtu.be/OvpW3KUs7pQ

CNT Notícia – TV CNT: https://youtu.be/PJ7FJN3Kp98

Band Cidade – TV Band (20/05): https://youtu.be/KdK9YoT6L8

OBRAS AVALIADAS

Avaliação: péssimo estado

Ponte sobre o rio Jaguaribe – 3ª ponte

Viaduto Campo Grande – Avenida Reitor Miguel Calmon

Viaduto da Fonte Nova

Passarela do Jaguaribe

Ponte sobre o rio Jacuípe – Estrada do Coco

Duto sobre o rio Imbuí

Pavimento Octávio Mangabeira

Marquises de edifícios no Centro

 

Avaliação: estado Ruim

Túnel Américo Simas

Complexo Viário dos Fuzileiros Navais

Viaduto Gabriela – Sentido Graça/Vitória

Viaduto Mascarenhas de Moraes

Viaduto do Contorno – regular

Viaduto Rômulo de Almeida

Viaduto Vale do Ogunjá

Viaduto Marta Vasconcelos

Viaduto Joana Angélica

Viaduto dos Engenheiros

Viaduto do Bonocô

Viaduto do Sesc

Viaduto Campo Santo

Viaduto São Jorge

Viaduto Canela

Viaduto Padre Feijó

Viaduto Aquidabã

Viaduto dos Reis Católicos

Igreja do Bonfim

Estação Elevatória do Louro – Stella Maris

galeria de imagens
Centro Histórico de Salvador - Prédio próximo ao Elevador Lacerda
Imbuí
Viaduto sobre o rio Jacuipe
Túnel Américo Simas
Viaduto Gabriela
Viaduto Joana Angélica
Viaduto Rômulo Almeida