Setor público avança na contratação de empreendimentos em BIM

Governo federal passará a exigir, em 2021, utilização da modelagem em projetos e obras; No Piauí, prefeitura de Teresina colhe os primeiros resultados da implantação da metodologia.

A adoção das tecnologias BIM (Building Information Modelling) pelas empresas brasileiras do setor de construção civil deve aumentar em dez vezes até 2028, passando de 5% do PIB do setor para 50%, segundo levantamento realizado pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

O tema é um dos assuntos debatidos no 2º Seminário Internacional: A Era BIM, que será realizado no dia 22 de agosto. O evento promovido pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) já está com inscrições abertas (confira abaixo canal para inscrições).

Adriana Arruda Pessoa, coordenadora de Economia Digital e Produtividade Industrial do Ministério da Economia, explica que o papel indutor do governo no uso das tecnologias BIM tem ocorrido por meio da criação de um ambiente de maior segurança regulatória, bem como do estímulo à inovação e à modernização setorial.

Segundo ela, a estratégia BIM BR propõe a utilização e a exigência do BIM em três etapas: “A primeira fase, a partir de janeiro de 2021, está focada em projetos de arquitetura e de engenharia para construções novas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas de grande relevância para a disseminação do BIM”. A segunda fase, a partir de janeiro de 2024, deve abranger, além dos usos previstos na fase anterior, será incluído orçamento e planejamento da execução de obras e a atualização do modelo e de suas informações como construído (as built).

A terceira fase deve ocorrer a partir de 2028 e deve abranger os usos previstos nas etapas anteriores, os serviços de gerenciamento e de manutenção do empreendimento após sua construção, cujos projetos de arquitetura e engenharia e obras tenham sido realizados ou executados com aplicação do BIM.

Prática

Virgínia Moura, coordenadora geral do NUBIM da Prefeitura de Teresina, explica que a tecnologia BIM abre um leque amplo para a administração pública. “A adoção do BIM na prefeitura de Teresina, como ferramenta de gestão de processos, visa capacitar e integrar os técnicos municipais para levantar, projetar, analisar, fiscalizar e monitorar os ativos públicos construídos e a construir dentro de uma plataforma de tecnologia com o objetivo de diminuir desperdícios, eliminar aditivos nas obras e, no futuro, controlar a manutenção dos ativos”, esclarece a especialista.

A Prefeitura de Teresina já colhe os primeiros resultados com a implantação da metodologia. “A experiência com o case, ainda em desenvolvimento, já trouxe um resultado comparativo em relação ao sistema atual de elaboração de projetos de uma escola padrão da Secretaria Municipal de Educação. Enquanto uma encontra-se há dois anos na fase de projetos (da concepção aos complementares) com 17 contratos que somam mais de R$ 400.000,00, a Escola do Case, iniciada em janeiro de 2019, foi entregue todos os projetos básicos, elaborado por equipe própria da prefeitura (5 profissionais e 2 estagiários) e será dado o início aos projetos executivos para licitar até o final de 2019” aponta Virgínia.