3 janeiro 2017

Trevão de Ribeirão Preto/SP: circulação livre e segura

Projeto consegue evitar intersecções em rotatória que conecta seis vias diferentes. Trevo foi dimensionado para suportar o tráfego local por mais 30 anos.

Com quase 700 mil habitantes, a cidade de Ribeirão Preto é um importante centro de negócios do interior paulista que atrai investimentos, pessoas em busca de trabalho e um fluxo de veículos em permanente crescimento. Assim, na última década, algumas conexões entre rodovias e avenidas do município começaram a apresentar sinais de obsolescência, com acidentes e, sobretudo, congestionamentos diários.

Os maiores problemas eram verificados na rotatória Waldo Adalberto da Silveira, construída em 1972 na conexão com a Via Anhanguera. No final da década passada, o fluxo local chegava a 80 mil veículos por dia, com picos de oito mil veículos hora e muitos pontos de conflito, situação que demandava obras para a melhoria do entroncamento.

Um projeto foi solicitado pela Artesp – Agência de Transporte do Estado de São Paulo à concessionária Arteris, que opera as rodovias da região. E nasceu daí a concepção do “Trevão de Ribeirão Preto”, uma complexa rede de viadutos que conectam as rodovias BR 050, SP 333, SP 309 e a avenida Castello Branco, na entrada sul da cidade, sem entrelaçamentos em qualquer sentido, possibilitando a circulação sem cruzamentos.

Remodelação do trevo
Os trabalhos técnicos foram desenvolvidos pela Setenge  – Serviços Técnicos de Engenharia, com estudos viários da Beta 2 Engenharia. O engenheiro Walter Toshiaki Hirai, da Setenge, explica que o maior desafio do projeto era a limitação imposta, de utilizar a mesma área da antiga rotatória e desenvolver a obra sem a interrupção do tráfego. Além disso, lembra Hirai, o projeto deveria reduzir ao mínimo as desapropriações, readequar o sistema de drenagem, estabelecer em detalhes todas as etapas da obra e, é claro, atender a todos os acessos já existentes. “O que se fez foi uma remodelação da antiga rotatória, com oito viadutos e vinte rampas e retornos, sem cruzamento das pistas, além de uma passarela para pedestres e ciclistas com 440 metros de extensão”, explica Walter Hirai.

Os viadutos foram projetados em concreto protendido e seção celular tipo caixão, considerando a melhor solução estrutural e estética. A concepção estrutural dos viadutos foi desenvolvida com apoio dos programas Power Civil e RM Bridge, com modelagem rápida das seções transversais e eixos e desenhos em 3D. Graças a esses recursos, o projeto em si foi finalizado com quatro meses de antecedência.

Gigantismo
Em uma foto de satélite, a obra surge como uma gigantesca “teia” de vias curvilíneas com cerca de 450 metros de diâmetro. E se colocadas em linha reta, essas vias formariam uma rodovia com quase 12 km de extensão.

A construção foi realizada pela Leão Engenharia, em um prazo recorde de 19 meses, permitindo a entrega da última fase da obra em dezembro de 2014, quatro meses antes do prazo previsto. Além da sinalização horizontal e vertical adequada, o sistema viário recebeu novos dispositivos de segurança (barreiras de concreto e defensas metálicas), além de um sistema de iluminação com lâmpadas led.

Segundo a Arteris, a rotatória reduziu o volume de tráfego e o número de acidentes, beneficiando de forma indireta 1,5 milhão de usuários. Ainda conforme a empresa, a nova rotatória foi dimensionada para suportar o tráfego local por mais 30 anos. Custo: 120 milhões de reais.

 

Foto da capa: Divulgação Arteris