20 setembro 2016

Veículo Leve sobre Trilhos: o bonde volta às ruas do Rio de Janeiro

Integrado à paisagem urbana da capital carioca, o VLT valoriza os recentes projetos de renovação do espaço público na cidade. E ganha a simpatia de cariocas e turistas.

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Rio foi inaugurado no dia 5 de junho, a exatos dois meses da abertura da Olimpíada 2016. De lá para cá, o bonde moderno caiu no gosto dos cariocas e virou até atração turística, já que além de mobilidade urbana garante um verdadeiro tour por pontos históricos e arquitetônicos da cidade. O VLT é um projeto da Prefeitura do Rio e faz parte da operação urbana Porto Maravilha de revitalização da região portuária.

Prova desse sucesso é que, com apenas três meses de funcionamento, o novo sistema já transportou 2 milhões e 40 mil passageiros. Quando estiver em operação plena – a meta é 2017 -, o transporte terá seis linhas, 28 km de trilhos e 32 pontos de embarque (28 paradas e 4 estações de integração). Completo, terá capacidade para transportar até 300 mil passageiros por dia.

Por ora, o trecho em operação, de 18 km com 19 pontos de parada, liga a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont. Numa próxima etapa, o VLT vai da Central do Brasil à Praça 15 e, segundo os responsáveis pelo projeto, as obras devem ser iniciadas ainda este ano. O projeto do VLT foi coordenado pela CDURP – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Rio de Janeiro e contou ainda com apoio de outros órgãos da Prefeitura.

Os veículos leves sobre trilhos vêm se espalhando pelo globo, e aos poucos chegam ao nosso país. O VLT carioca adota a tipologia da Alstom, com a produção das peças feita toda na fábrica da empresa em Taubaté (SP). Uma novidade é a não existência de catracas no interior dos veículos; o bilhete deve ser carregado nas estações e validado pelo próprio passageiro dentro da composição.

Outra inovação é que o VLT do Rio é um dos primeiros no mundo a circular sem necessidade de cabos e rede aérea de alimentação: a propulsão é feita por motores elétricos acionados por supercapacitores e baterias. Em cada parada, o sistema é automaticamente recarregado.

Além de silencioso e não poluente, o VLT inova na mobilidade urbana em vários aspectos. Uma de suas características é fazer conexão com os demais meios de transporte – trens, metrô, barcas, teleférico, BRT e ônibus. Segundo o diretor presidente da CDURP, Alberto Gomes Silva, “a ideia, desde o início, foi quebrar uma lógica muito presente, tanto no Rio como em várias de nossas cidades, que vê os diferentes transportes de massa como concorrentes entre si”, analisa.

Além da integração, o novo modal traz qualidades ambientais e urbanísticas, conta o executivo da CDURP: “A decisão pelo VLT foi devido a ser um transporte que não polui, que é ambientalmente adequado, não agressivo à paisagem urbana, e que ajuda a valorizar a preservação do patrimônio histórico”, relaciona.

Tecnicamente, o VLT pode atingir até 70 ou 80 km/h, mas como o seu traçado cruza com áreas adensadas da cidade, houve necessidade de adequar esse limite: “Em áreas com grande circulação de pessoas a velocidade chega a ficar bem baixa, não mais que 5 km/h. Já a velocidade média é de 10 km/h, e só em uns poucos trechos mais livres alcança 60 km/h”, explica Gomes Silva, acrescentando que não é pouco, considerando que os carros no trânsito congestinado da cidade não andam mesmo muito além disso.

A volta dos trilhos

Ele destaca que o importante é que o VLT representa uma mudança de paradigma na mobilidade urbana: “Como em todo o país, o Rio passou pelo processo de retirada dos trilhos e a ocupação das ruas com ônibus, o transporte sobre pneus. A intenção agora foi retomar essa infraestrutura sobre trilhos, recuperar o antigo caminho dos bondes e ir além, avançando para novas áreas como o aeroporto”, destacou.

Nessa perspectiva, o projeto soube ultrapassar a ideia de funcionalidade e olhou para o entorno urbano. Para esta tarefa, os projetos de inserção urbanística e das estações foram entregues ao escritório do premiado arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa e de seu filho, o designer Guto Indio da Costa, que concebeu todo o mobiliário das estações e interior dos trens, além de fazer a adequação das vias, calçadas e meios-fios, entre outras interfaces do projeto.

O custo do VLT do Rio é avaliado em R$ 1,157 bilhão, sendo R$ 532 milhões de recursos federais e R$ 625 milhões viabilizados por meio de parceria público-privada (PPP) da prefeitura.

Ficha técnica
Responsável: Concessionária do VLT Carioca S.A.
Projeto Geométrico: Consórcio Planserve Engenharia e Systra.
Projeto Urbanístico: Indio da Costa Arquitetura (Av. Rio Branco, trecho da Praça da República, Rua Constituição e Rua Sete de Setembro).
Interiores das composições: Indio da Costa (A.U.D.T) e Alstom.
Estações: Indio da Costa (A.U.D.T).
Execução: Azevedo & Travassos S.A, Jofege Pavimentação e Construção Ltda., Tracomal Terraplanagem Ltda.
Fabricação das composições: Alstom.
Início das obras: Agosto de 2014.
Entrega da obra - 1ª etapa: Março/2016.
Entrega da obra - 2ª etapa: Outubro/2016.
Entrega da obra - 3ª etapa: Setembro/2017.
Extensão: 28 km.
Estações: 28 paradas e 4 estações (Rodoviária, Aeroporto Santos Dumont, Praça XV e Central do Brasil).
Capacidade do sistema: 300.000 passageiros/dia (em operação plena).
Custo: R$ 1.156.700.000,00 (total) e R$ 41.310.714,28 (por km).